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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pele sem espinhas


Glândulas sebáceas que trabalham demais. Esta é a principal razão para o surgimento da acne, caracterizada pelo aumento na oleosidade da pele, que resulta no surgimento de cravos, espinhas e até lesões mais graves, como nódulos e cistos. De acordo com estatísticas mundiais, cerca de 80% dos adolescentes sofrem com o problema. Quem nos ajuda a entender mais sobre o tema é Ricardo Américo, dermatologista, hansenologista e preceptor do estágio de dermatologia do Centro de Referência Nacional em Dermatologia Sanitária Dona Libânia, em Fortaleza.

´Embora hajam divergências entre os principais autores, se considerarmos todos os casos, dos mais leves aos mais graves, chegaremos, realmente, aos 80%´, revela o médico. É comum associar acne e adolescência. Essa ligação não é à toa, já que o problema dermatológico pode estar relacionado aos estímulos hormonais, no caso, a elevação dos títulos de andrógenos.

As lesões que surgem durante a puberdade acometem jovens de ambos os sexos, tendo um pico maior de incidência entre os 14 e 17 anos em mulheres, e dos 16 aos 19 nos homens. Tão logo surjam os primeiros cravos e espinhas, que geralmente se manifestam na face e no tronco, áreas do corpo ricas em glândulas sebáceas, o dermatologista deve ser procurado para iniciar todo um acompanhamento do quadro e evitar possíveis sequelas, tais como manchas e cicatrizes.

Ao contrário do que muitos pensam, entretanto, problema de pele não é algo que atinge apenas pessoas mais jovens. Gravidade do quadro, já que formas mais graves tendem a ser mais resistentes; herança familiar; e distúrbios hormonais, que devem ser investigados laboratorialmente e corretamente tratados, são os principais responsáveis pela persistência da acne na vida adulta.

Estágios
Para facilitar o diagnóstico e o tratamento, o quadro clínico da acne é dividido em quatro estágios. O grau I é caracterizado apenas por cravos; no II aparecem cravos e espinhas pequenas, que se assemelham a pequenas lesões inflamadas com pontos amarelos de pus; no grau III, além das marcas já citadas, começam a surgir os cistos, que são lesões maiores, mais profundas, dolorosas e inflamadas; no último grau, a pele, devido a gravidade das marcas, começa a adquirir aspecto desfigurante.

É comum pessoas que apresentam os efeitos do grau IV, principalmente, pela insatisfação com a própria imagem, sofrerem com quadros de baixa auto-estima, tristeza, timidez e depressão. ´Não é raro que a pessoa se retraia e passe a ter dificuldades de socialização e na sua vida amorosa, problemas que podem perdurar por muitos anos´, adverte.

Esse tipo de paciente requer atenção especial, tanto por parte do dermatologista, que deve passar motivação e otimismo sobre os resultados possíveis com o tratamento, como por parte dos familiares que devem dar o amparo psicológico necessário. ´Nos casos graves de depressão, o tratamento deve ser feito com o acompanhamento paralelo de psicólogos e/ou psiquiatras´, atesta Ricardo Américo.

Tratamento
As manifestações provocadas pela acne variam muito de uma pessoa para outra. Nos casos mais simples, somente medidas educativas e boa orientação quanto aos cuidados com a pele podem ser suficientes para o processo de cura. Pacientes com acne grave - quando há um número grande de lesões, quando atinge áreas extensas (face, ombros, região peitoral, costas) ou quando o tipo de lesão é grave (nódulos, cistos) e pode deixar sequelas - o tratamento, além de mais delicado, tem uma duração maior.

O principal farmaco usado é a Isotretinoína, medicamento derivado da Vitamina A e que, na maior parte dos casos, acaba com a acne em cerca de seis a oito meses e tem como resultado a cura em até 90% dos pacientes tratados. Apesar de todos os benefícios, é importante saber que a medicação exige cautela, já que possui alguns efeitos colaterais.

Ressecamento labial, queda de cabelo, dor de cabeça, dores nas articulações e músculos, aumento do colesterol, ressecamento das mucosas nasal, bucal e ocular, sangramento nasal e ressecamento intenso da pele são algumas das reações que desaparecem ao final do tratamento. Para as mulheres, além dos exames laboratoriais periódicos, é solicitado o teste de gravidez, já que o uso da Isotretinoína pode causar malformação fetal.
Entrevista - Letícia Secco, dermatologista e gerente médica da Roche

A partir de que momento o dermatologista deve ser procurado?
Acne é considerada uma doença, então, o dermatologista deve ser procurado tão logo o paciente decida tratá-la. Deste modo, o melhor tratamento para cada caso será indicado.

É possível, mesmo que sem sinais aparentes, o dermatologista detectar a probabilidade do surgimento de acne grave?
A acne é definida como grave quando há sinais ou sintomas clínicos que a definem como tal, ou seja, o diagnóstico de acne grave é baseado na clínica. No entanto, há fatores que aumentam a probabilidade de evolução para acne grave (idade, sexo, tempo de início da doença, entre outros)

A partir de quando o problema da acne passa a ser considerado grave?
Quando as lesões são nódulo-císticas, extensas (acometem não só face mas também tronco e outras áreas do corpo) e não responsivo a tratamento convencional.

Esse tipo de acne também pode atingir adultos?
É mais comum em adolescentes e eventualmente em adultos jovens, sem uma razão específica para o fato.

Como acontece o tratamento da acne grave?
O tratamento da acne grave é feito com a isotretinoina oral, por vezes acompanhada de corticoesteróides orais. A medicação é a única alternativa de cura, é usada sempre que não há contra-indicações ao uso.

Em muitos casos, os pacientes ficam com o rosto marcado, já que em certos períodos, podem surgir grandes lesões. Existe tratamento para retirar essas marcas?
Vários tratamentos estão disponíveis, mas nenhum 100% eficaz. Vão desde peelings químicos de média a alta profundidade, dermoabrasão, cirurgia e lasers (Fraxel e outros lasers que fazem ressurfacing fracionado).
PROTAGONISTA

Sou viciada em maçã
Meu problema de acne começou quando eu tinha 17 anos por conta do estresse do vestibular. Como sou alérgica a medicamentos passei a fazer tratamento alternativo com loções. Minha dermatologista pediu também para que eu comesse maçã para evitar que as placas de gordura do meu rosto inflamassem. O problema da acne foi resolvido e eu acabei me viciando nessa fruta.

Liduina Figueiredo, 24 anos, publicitária
MITOS SOBRE ACNE

Sol. Apesar da melhora aparente, devido ao bronzeamento e ao ressecamento de algumas lesões, a exposição ao sol provoca uma piora alguns dias depois, devido ao aumento da produção de oleosidade e da espessura da epiderme, contribuindo para a obstrução dos poros.

Câncer de pele. Espinhas não devem jamais ser espremidas, mas isso não origina o câncer da pele. Muitas pessoas espremem lesões que já eram um câncer, pensando ser uma espinha. As lesões evoluem e, quando recebem o diagnóstico, pensam que foi porque espremeram a ´suposta´ espinha.

Alimentação. A causa da acne é uma predisposição genética. Mesmo não tendo nenhuma participação na causa da patologia, a alimentação pode influir no curso da acne. Em pessoas que já têm a doença, é possível ocorrer uma piora das lesões com a ingestão de alimentos como: chocolate, leite e derivados, amendoins, crustáceos e condimentos fortes.

Masturbação. As espinhas surgem na mesma época em que os jovens descobrem a sexualidade e a masturbação. Vem daí a crença.

Fonte: http://www.dermatologia.net/

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