SEGUIR POR EMAIL

sábado, 16 de junho de 2012

Napoleão Bonaparte - ascensão e queda


Para acalmar as nações que viam em Napoleão um revolucionário, e também para atrair a simpatia da nobreza emigrada no período da revolução e consolidar sua autoridade, Napoleão instituiu o império. Não era uma monarquia, pois não havia hereditariedade, mas se assemelhava a ela.
No entanto, para afastar qualquer suspeita de absolutismo, Napoleão deveria receber o cetro do povo. Por isso, espalhou-se o velho boato de que uma conspiração de extrema-esquerda pretendia dar um golpe de Estado. Após um gigantesco plebiscito, Napoleão foi coroado imperador com uma esmagadora maioria de votos.
Em 1807, colocou à venda os títulos de nobreza, formando, assim, uma nova aristocracia, oriunda da alta burguesia que passou a deter os mais altos cargos do governo. O exército, reformado e modernizado, era o grande respaldo do governo, e o recrutamento obrigatório tornou-os o maior da Europa, com mais de um milhão de soldados.

 Napoleão Bonaparte transpõe o monte Branco em maio de 1800. Óleo sobre tela de Jacques-Louis David
A Inglaterra se preocupava com o crescente poderio francês, principalmente após a ocupação de Hanôver (Alemanha) por tropas francesas. Suspeitando que a França se preparava para invadi-la, a Inglaterra restabeleceu a aliança com a Rússia e, com a adesão da Áustria, Suécia e Nápoles, formou-se aTerceira Coligação.
Os franceses conseguiram derrotar os austríacos e ocuparam Viena. Nessa ocasião a Espanha aliou-se à França, mas suas esquadras foram derrotadas pela poderosa marinha britânica na batalha de Trafalgar, em 1805.
No dia 2 de dezembro de 1805, Napoleão venceu a Prússia em Austerlitz, e ela passou para o sistema de defesa francês. Em julho de 1806 formou-se aConfederação do Reno, extinguindo o Sacro Império com a renúncia deFrancisco II ao trono e a submissão do Estado alemão à liderança francesa.
Entre 1806 e 1807, formou-se a Quarta Coligação, entre a Rússia, a Prússia e a Saxônia, que queria a dissolução da Confederação do Reno.
Sabendo que não poderia derrotar a Inglaterra num confronto militar, Napoleão resolveu atingi-la em sua economia. Para isso, decretou o Bloqueio Continental, em 1806, proibindo todas as nações européias de comprarem produtos ingleses. Os países ocupados, os protetorados (apoio dado a um país a outro menos poderoso) e os aliados da França tiveram de aderir ao bloqueio. Isso beneficiava a burguesia francesa, que, com reserva de mercado no continente, ampliou suas vendas e aumentou seus lucros.
Os efeitos do Bloqueio Continental se faziam sentir. Em julho de 1807, a Rússia assinou a paz de Tilsit com a França, aderindo ao bloqueio. As industrias inglesas começavam a sentir o efeito da falta de mercado.
Alguns aliados da Inglaterra, como Portugal, por exemplo, tentaram resistir às pressões francesas para que aderissem ao bloqueio. Por essa razão, Napoleão invadiu Portugal, e seu governo teve de fugir para a colônia do Brasil em 1807.  A mudança da Coroa portuguesa para o continente americano facilitou, as atividades econômicas da Inglaterra, que podia negociar diretamente com o Brasil.
A Espanha, que atravessava uma crise política, foi ocupada pelas tropas  francesas e passou a ser governada por José I, irmão de Napoleão. Mas o povo espanhol resistia, por meio da guerrilha, ao domínio estrangeiro. Napoleão começou a sentir os primeiros sinais de enfraquecimento e as dificuldades para manter todas as conquistas.
Em 1809, formou-se uma Quinta Coligação, liderada pela Áustria, que, animada pela resistência espanhola, pretendia libertar-se do domínio francês. Essa tentativa resultou em fracasso, pois o poderio do exército francês e do Império Napoleônico atingia seu ponto mais alto. Mas esse apogeu não durou muito.
Na França, o recrutamento obrigatório e as constantes guerras criavam um clima de insatisfação geral. As péssimas colheitas de 1811 aliadas ao Bloqueio Continental e à constante vigilância da marinha inglesa geraram falta de alimentos no país. Por outro lado, as industrias francesas não conseguiam suprir todos os mercados da Europa, impedidos de comerciar com a Inglaterra por causa do bloqueio. A escassez de gêneros de consumo ameaçava a estabilidade dos governos aliados da França.
Internamente, as conspirações  aumentavam: alguns realistas fundaram a organização Cavaleiros da Fé para para combater o império. Externamente, a Rússia, pressionada pela crise econômica, abandonou o bloqueio em dezembro de 1810, provocando graves tensões com a França.
Em junho de 1812, inesperadamente, Napoleão começou a invasão da Rússia. Entre agosto e setembro de 1812, o avanço francês foi tão rápido que as tropas chegaram a tomar Moscou. Mas a tática de retirada do general russo Kutuzov deixou a tropa inimiga sem abastecimento. Ao mesmo tempo, o rigoroso inverno das estepes russas ajudou a dilacerar o exército napoleônico, que, de um contingente inicial de 600 mil soldados, viu-se reduzido a 30 mil homens famintos, doentes e sem munição, em novembro de 1812. A Prússia e a Áustria, animadas com a derrota de Napoleão, aliaram-se a Rússia e moveram guerra à França.
Os países ibéricos resistiam crescentemente à presença dos franceses e contavam, ainda, com o auxílio do exército inglês. Em março de 1813,Frederico Guilherme III, rei da Prússia, declarou guerra à França. Valendo-se das técnicas militares introduzidas por Napoleão e com a adesão da Inglaterra, Suécia e Áustria, conseguiu derrotar as tropas francesas em outubro de 1813. Os soldados prussianos e os aliados perseguiram os franceses até Paris e, em março de 1814, marcharam nas ruas da cidade. Napoleão foi deposto.
PEDRO, Antonio. História de civilização ocidental. ensino médio. volume único

Nenhum comentário:

Postar um comentário